Acontece

on Sonntag, 15 August 2010.

Eu quero pedir desculpas pelos meus erros ortográficos e gramaticais. Muitas vezes tenho tao pouco tempo pra escrever, que acaba saindo meio de qualquer jeito, mas a intencao é boa.

Resumindo que aconteceu nos últimos dias: saimos de Nanaimo, vinhemos pro outro lado da ilha, chamado Tofino. O caminho pra cá foi surreal, foram horas contornando um lago gigante, no meio da Ilha de Vancouver, mais ou menos 4 horas. Saimos de Nanaimo com um sol de rachar, o tempo todo sol, com o por do Sol mais incrível que vi na vida, mas de repente, depois de uma curva tinha uma neblina tao forte, que mal dava pra ver um palmo além da janela do ônibus.Aém disso, estava de short e camiseta, as pessoas na rua todas encapotadas. Pensamos que estávamos indo pro inferno gelado, na ponta leste do Canada, depois daqui só o Hawai. Nao tinhamos reserva de hotal e já era quase 10 da noite, sabíamos que estava tudo lotado, porque é altíssima temporada. Descemos do ônibus, um puta frio e a gente de sandália e bermuda. Sem nocao se irmos pra direita ou pra esquerda, nao dava pra ver nada, por causa da neblina. E claro que o Thomas nao queria perguntar pra ninguém alguam coisa, qualquer coisa. Pela primeira vez aqui tive um pouco de medo. Mas ouvimos duas mocas pergurtarem pro motorista (gracas a Deus mulheres perguntam!!!!) pra onde ir, qualquer lugar, e percebemos que eram alemas. Entao, o Thomas puxou conversa e resolvemos nos juntar. Procuramos o caminho indicado pelo motorista onde poderíamos acampar sem muitos problemas, mas nao é legal aqui, acampar em qualquer lugar, rodamos e nao achamos, já era mais de 11 da noite e um mega frio. Resolvemos voltar pra cidade de 1.500 habitantes. Encontramos um outro cara que estava no mesmo ônibus que nós, era um canadense, juntamos todas nossas coisas e procuramos de novo o lugar pra acampar. Estava tao escuro, mas tao escuro e com tanta névoa, que nao podemos nem adivinhar pra que lado era o mar. Descemos barrancos, subimos barrancos e finalmente encontramos areia, talvez era a praia. Montamos nossas barracas e tratamos de dormir. Sem a menor idéia de onde estávamos. Acordamos e vimos que estávamos numa pria linda, quando chegamos estava tao escuro, que nem as lanternas conseguiram localizar o mar e sua direcao.

As duas outras noites em Tofino acampamos legalmente, sem chuveiro. Mas conhecemos pessoas legais, como o canadense que nos permitiu ficar no seu grupo, já que estva tudo lotado e um americano de Boston, que já viajou o mundo inteiro, vai de acampamento por acampamento com seu carro, barraca e tralha, extremamente simpático com seus 74 anos.

Neste acampamento tivemos nossa primeira experiência com ursos. Thomas saiu da barraca pra fazer pipi, voltou dizendo que tinha visto alguma coisa e que era grande, nem liguei, porque ele faz isso direto. Mas no dia seguinte, vieram gente dizer que nao deixassemos comida por perto, porque durante a noite tinha um urso preto no nosso acampamento, 10m da nossa barraca. Daí nao dormi mais :-(

Canada - People and Nature

on Samstag, 14 August 2010.

este momento, estou escrevendo direto de Ilha de Vancouver, numa cidadezinha chamada Nanaimo em um parque, de frente pro mar. Onde fizemos uma farofada, tiramos nossa panelinha com fogareiro da sacola e fizemos miojo e esquentamos uma lata de especie de feijoada enladata, delícia! Estamos aqui esperando pelo ônibus.

Há dois dias nossos planos eram outros, estavamos planejando ir a Banff, fazer outra trilha, mas o tempo nao ajudou. O problema em montanhas é esse, muda muito rápido, ficamos mais ou menos 4 dias aqui e ali a mercê do tempo.

Antes de chegar aqui, estivemos em Louise Lake, cidade turística, por conta do lago. Lá vimos uma ursa com seus dois filhotinhos, Thomas tirou fotos. Tocando no assunto: a natureza aqui é linda, as montanhas com topos brancos de neve, parecendo paisagens de cartao postal. Os lagos sao azuis, assim como os rios, é água que desce das montanhas do gelo que derrete. E quando sol brilha as árvores brilham, apesar de nao haver muita vegetacao muito diversificada, na maioria pinheiros, mas só fazem a paisagem ficar ainda, mais incrível. No nosso caminho de Jasper em direcao Loiuse Lake foi um espetáculo, o sol saia e se escondia e fazia um jogo de cores com o gelo das montanhas, surreal.

Onde fizemos a trilha é um local de preservacao, apenas 40 pessoas por vez numa distância de 50Km, entao a natureza é quase intocada. No nosso último dia de trilha, ouvimos uivos de lobos vindo do alto da montanha, no dia anterior tinha visto as pegadas, parece mentira, mas nao é. É apenas lindo. Quanto à fauna, aqui é muito famoso pelos ursos, há os gryzzils e os pretos, que sao os menores.

Muitos esquilos, que pulam no caminho o tempo todo e outros roedores, de diferentes tamanhos. Como eles sao selvagens, nao têm medo de nós, acho que nao imaginam como o bicho homem é perigoso. Nós temos muitas fotos, mas nao dá pra colocar todas no site, fazemos o possível pra escolher umas boas.

Quanto aos canadenses, é um povo extremamente simpático, eles olham pra gente e oferecem ajuda, querem dar alguma informacao, dizer onde ir, nao interessa onde estamos, é só abrir o mapa, chove gente. Até os mendingos sao solidários, querem saber de onde somos, pra onde vamos. Todo mundo puxa papo. Nao estava mais acostumada com isso, na Alemanha, com muita sorte, alguém chega a olhar pra você, oferecer ajuda, nao me lembro de ter acontecido. Em Calgary, Thomas esperava por mim na porta do supermercado, parou uma mulher, puxou assunto, de onde somos, pra onde vamos blá blá e já de cara ofereceu pra que ficássemos na sua casa, em Victoria. O que é muito comum aqui é pediu carona nas estradas, é meio tradicao aqui. O que pra gente é fantástico. De Jasper pra baixo, conseguimos uma carona com um homem, que já viajava 9 horas com sua cadelinha como companhia, acho que nós ajudamos a ele mais que ele a gente, pois ele teve companhia pelas últimas 3 horas. O problema é que ele nos deixou do lado errado da rodovia. e daquele ponto pra frente, comecava o trecho de incidência de animais selvegens, e a gente indo pra essa direcao.... Aqui a próxima cidade é uma eternidade da outra, e o pior, já era mais de 20horas, comecando escurecer e os mosquitos atacando. Por nossa sorte, uma moca parou e nos disse que estávamos no lugar errado, mandou que entrassemos no carro e nos levou até a porta do albergue. Isso é muito legal.

Além disso, há muitos turistas, gente do mundo inteiro. Como dorminos em albergues, toda noite temos gente de diferentes partes nas camas ao lado, mas o inacreditável é o tanto de alemao por aqui. É quase possível sobreviver aqui só com o alemao, já que meu inglês está no momento miserável.

Uma coisa está nos incomodando aqui, tudo é muito caro, muito mais caro que na Alemanha, que ultimamente está até mais barato que no Brasil. Acho que disse vou sentir muita falta, fazer compra na Alemanha, comprar queijo suico pelo preco de queijo minas. Caviar custa tanto quanto mortadela.

Agora estamos aqui, esperando pra ver o nosso próximo destino. Talvez Tofino, mas como é alta temporada, nao sabemos se encontraremos lugar pra dormir hoje. Mas isso vao ficar sabendo depois.

Calgary-Jasper

on Sonntag, 08 August 2010.

Agora consegui um tempinho para escrever. No meu último texto, contei um pouco sobre Toronto e sobre nossa chegada ao Canada.

No momento (07/08) me encontro em Jasper, na regiao centro-oeste do Canada, conhecido também por Rockies Montains, que vai até os Estados Unidos. Mas até chegar aqui, passamos 3 noites e 2 dois dias dentro de um onibus, que saiu de Toronto em direcao Vancouver. Foram horas e horas sentada num banco que mal reclinava, num onibus lotado de pessoas, que como nós, passaram dias sem tomar banho. Eu me virei com lencinhos umidecidos, renovei o desodorante e escovei os dentes duas vezes ao dia. Sobre o Thomas nem falo nada. Eu nunca pensei que daria conta, mas funcionou, agora posso ir de SP até o Ceará de onibus, tiro de letra.

Nem sei quantos motoristas diferentes nós tivemos e o homem que vendeu a passagem falou em cerca de 100 paradas, eu achei que fosse piada, mas no final nao teve graca nenhuma. Mas sobrevivemos.

Nós fizemos uma parada em Calgary, cerca de 1000km de Vancouver. Lá ficamos 3 dias. Nosso plano era de lá para Banff (outro parque nacional da regiao), mas como o tempo nao estava bom, resolvermos vir direto a Jasper, depois voltar direcao sul para Banff. Que ouve, acha que é assim, ah, vai até Jasper e volta pra Banff, essas idas e voltas duram no minimo 10hrs de viagem.

Bom, chegamos em Calgary por volta das 5h30 da manha, esperamos até umas sete na rodoviária até o sol clarear, lá foi meio que uma escala, como disse, a cidade é bonita, também com prédios modernos envidracados, mas mais aconchegante, dá pra conhecer a cidade num só dia, e fizemos de mochila nas costas, porque nao sabíamos pra onde ir, nao tinhamos albergue ou hotel resevados. Sentamos na porta do centro de informao ao turista e invadimos o WiFi deles, assim pudemos entrar na internet e descolar um albergue. Foi assim. Nosso plano, como disse era outro, mas acabamos ficando lá duas noites num quarto misto com 3 beliches, na primeira noite ficamos com 2 casais, na segunda sozinhos. Lá, o Thomas ficava na internet e eu de um lado pro outro sem saber bem o que fazer, mas no final das contas foi bom, conheci a cidade mais que ele.

De lá reservamos uma noite em Jasper num hostel, mas houve um problema no sistema e nossa reserva nao apareceu no sistema, tivemos que meio que na hora improvisar e passamos uma noite no onibus, viajando. No final das contas economizamos 60 dolares com a hospedagem, por outro nao dormimos nada.

Saimos de Calgary às 18h e chegamos em Jasper às 4h, esperamos de novo o dia amanhecer, mas desta vez do lado de fora da rodviária, numa temperatura por volta dos 5°C, eu estava morta e Thomas com aquele humor tenebroso se sempre, nao tinhamos nenhuma reserva de hotel, nenhuma nocao do que fazer, tivemos que decidir na hora, onde passar a noite etc. Entao, esperamos até às 8h30 que o centro de informacao ao turista abrisse e tentar arrumar alguma coisa. Como estávamos lá desde as 4 da manha, o Thomas foi o primeiro a ser atendido, eu fique do lado de fora, tentando me recuperar da noite gelada e cuidando das mochilas. Quando o Thomas saiu de lá disse: "nós temos pelo menos 3 noites onde dormir". Nao sei se fique feliz ou com medo, o Thomas tinha acabado de acertar nossa primeira aventura no mundo selvagem nos confins do Canada: "Skyline Trail", ele me disse que a trilha era de 44km, entao pensei, "nossa, é bico, eu faco 10Km em 55 minutos com subida quando eu corro". Saimos do centro e informacao, procurei um banheiro pra escovar os dentes e fazer xixi, foi ali a última vez nos 5 dias seguinte que vi uma privada e uma pia. Procuramos um lugar pra guardar um pouco das coisas, porque as mochilas estavam muito pesadas, passamos um lanchonete, compramos 4 sanduiches, um garrafa de leite e outra de chá e partimos em direcao a Magline Lake, o início da nossa trilha.

Eu estava morta de cansada, tinha tido uma discussao horrível com meu marido, carregava pelo menos 15Kg nas costas, mas precisamos andar cerca de 9km até chegar ao acampamento. Eu achava que quando chegasse lá, ia poder ir ao banheiro, tomar um banho frio, mas um banho. Genteeee, o negócio era um pedacinho de chao batido que cabia nossa barraca, 50m dali havia duas mesas de madeira com bancos e uma especie de varal com uns 10m de altura com uns ganchos para pendurar a comida e assim evitar o ataque de ursos. Só! Ah, mosquitos, muitos mosquitos, tanto que tivemos que nos cobrir todos os cantos do corpo e tomar banho de repelente, mesma assim eles nao deram um treguinha sequer. Foi foda, o Thomas ficou muito bravo, a gente mal conseguiu montar a barraca. Mas depois da luta injusta, pois foram milhoes contra dois, entramos na nossa barraca às 18h e dormimos até às 7h do dia seguinte, 13 horas! Nós estamos tao cansados, que nem o chao duro e a falta de traveseiro atrapalhou o sono. Na manha seguinte os filhos da puta estavam lá, esperando a gente botar o nariz pra fora pra poder atacar de novo, e como!

O segundo dia, foi de uma caminhada 11Km, mas bem mais puxada que no dia anteior, os quilos extras nas costas deixam seus rastros e dores. Mas foi lindo, apesar do dia estar meio encoberto. Nesse dia, um casal que estava atrás de nós viu um urso a pouco metros, ele provavelmente tinha passado por nós e nao o vimos, gracas a Deus. Durante o dia, cozinhamos no nosso fogareiro e filtramos água do rio pra beber, a água é tao gelada, que parece que foi tirada do freezer. Na segunda noite, ficamos um acampanhamento chamado Curator, lindo! Com uma cachoeira no fundo, um rio passando na porta da nossa barraca, onde sob protestos e amecas lavei os cabelos no rio às 7h da manha numa temperatura de mais ou menos 5°C, e menos mosquitos. O terceiro dia de caminhada foi maravilhoso pela vista e natureza em si, mas foi muito dificil, tivemos que em alguns momentos escalar, atravessar a neve num disfiladeiro de centenas de metros. Mas o que vimos, acho que poucas pessoas do mundo já viram ao vivo, foi um sonho e o dia estava ensolarado, Deus foi generoso com os homens e neste dia, conosco. A terceira e última noite, foi pra mim a mais dificil, nao consegui dormir direito, mas o acampamento era um sonho, o rio corria sobre as pedras com as montanhas no fundo, parecia uma pintura.

O último (06/07) dia foi o mais cansativo (15km), pois foi só ladeira abaixo, sem muita coisa pra ver (havia uma nuvem de fumaca de incendio florestal cobrindo a regiao) além de  ouvir o Thomas reclamar a cada 2 minutos de cansaco e dos mosquitos, entao chegamos ao final da trilha, sem saber pra onde ir. Colocamos a mochila nas costas de novo, após uma pausa de 30 minutos, até chegar num ponto turístico, lá eu perguntei ao m motorista de onibus de turista se ele podia nos dar carona. Ele era muito legal, mas disse que precisava perguntar aos outros passageiros, se eles tinham algum problema e dar carona pra gente naquele estado, 5 dias de banho, botina pendurada na mochila, cheirando a chulé pestilento. Mas por incrível que pareca, acho que eles acharam legal, dar uma carona num onibus de luxo com ar condicionado ao dois andarilhos.

Chegamos a um albergue, onde temos que dividir o quarto com mais de 38 pessoas, mas pra mim, parecia um hotel 5 estrelas, finalmente pude tomar um banho quente.

Atual situacao: nao sabemos onde estaremos amanha, mas com certeza vai dar certo, seja lá o que formos fazer.

Mais sobre Toronto

on Samstag, 31 Juli 2010.

 

Nossa primeira estacao: Toronto

A cidade é muito bonita. Prédios altíssimos nas avenidas principais, todos envidracados, super modernos, mas salpicados por construcoes antigas, estilo inglês sóbrio. As casinhas conjugadas de tijolo a vista nas ruas laterais.

As ruas sao largas e limpas. Mas por fora é sempre mais bonito do que por dentro. Quando se entra nos restaurantes, prédios públicos, é sempre meio caidao, meio sujo. Os banheiros... ahh, os vasos sao horriveis: enormes, parecem umas bacias de água, super baixos. Acho que me acostumei muito depressa com a Alemanha.

Os parque na cidade sao muito bonitos, para nós brasileiros, sao super bem cuidados, limpos. Mas nao muito diferente do que se vê na Europa. Acho que países desenvolvidos sao muito parecidos.

Nao sei como é nos Estados Unidos, mas aqui há aqueles ônibus escolares amarelos e os ônibus de linha, nao sao tao mais novos. Os carros que andam nas ruas nao sao tao luxuosos, como na Alemanha (quanto a carro nao sei se pode comparar com qualquer outro pais no mundo).

As pessoas sao um caso a parte. Sao muito educadas e atenciosas. Eu nao estava mais acostumada, mas as pessoas pedem desculpa quando esbarram em você. No mercado, quase levei um susto quando uma mulher me pediu licenca com um sorisso no rosto para pegar algo na pratileira. Na alemanha, teria levado um empurrao e ficado com a impressao de como posso ser tao idiota por estar ali naquele momento.

As mulheres nao se vestem melhor que na Alemnha, nao achei nada demais. Mas achei legal, que a maioria das mulheres tinha uma sacolinha na mao com o sapato de salto, mas o tênis no pé, como nos filmes de Nova Iorque. Todos andam pelas ruas falando no telefone celular pelo fone de ouvido, é engracado. Parece um bando de loucos falando sozinhos ao mesmo tempo pelas ruas.

Há muito asiáticos, ou descendentes, como na Nova Zelândia. Por isso também, muita comida asiática como sushi bars. Mas também meio americano, um Stabucks em cada esquina. Carrocinhas de cachorro quente por toda a cidade, muita oferta de comida mexicana. Nao sei o que é tipico da regiao, nao fomos a um restaurante aqui.

Nos três dias que estivemos em Toronto, o clima foi super bom, sempre entre 25°C /28°C

 

Toronto

on Montag, 26 Juli 2010.

Chegamos.

Ontem (domingo, 25), aterrizamos em Toronto. O voô foi meio estranho, o aviao era super velho. Duzentos mil passageiros e dois banheiros. Criancas berrando sem parar, um monte delas. Depois, pra comecar paramos na Irlanda, para abastecer. É, porque lá a gasolina é mais barata. Incrível, com isso perdemos quase duas horas. Pra assistir ao filme, tinha que pagar 2 dolares, para o kit aconchego (cobertor, mascara, etc) 7. Uma piada. Pra quem já reclamou da Lufthansa, como eu, deveria voar de Air Transat.

De resto, foi tudo ótimo. Tive ZERO problema na imigracao. Esse é o lado bom de ter um alemao como marido. Ele fala e todo mundo acredita. Nao precisa ficar esperando o moco da imigracao revirar seu passaporte de cabo a rabo, olhar sua cara mil vezes, fazer cara de suspense até te liberar, como se fosse um favor.

Bom, o lado bom: Toronto é linda. Pelo menos pelo que vimos durante o trajeto até aqui. Parece uma cidade futurista, todos os prédios de vidro espelhados, ruas largas, o torre de TV super moderna, o lago rodeando a cidade. Estou louca pra ver mais. Fora, que o tarde/noite de ontem estava linda, a luz do sol laranjada refletida pelos prédios. E está muito mais quente que em Grötzingen, ontem fazia 25°C, hoje a previsa é de até 30°C.

Tempo

on Mittwoch, 21 Juli 2010.

Prestes a entrar no avião, ainda não caiu a ficha que estarei viajando nos próximos meses. E pior ainda, que não tenho a menor idéia de quando estarei de volta a Alemanha, a minha casa.

Eu preciso arrumar as coisas, preparar as malas, e fico aqui, sem saber por onde começar. Eu odeio esta sensação de barata tonta. Pra viagem está tudo resolvido, só falta empacotar a mochila. Mas ainda há aquela insegurança, fora o mal-humor que rege o ambiente. Eu gostaria de estar mais animada, mais empolgada, mas estou ainda (digo ainda, pois espero que passe logo) preocupada. Talvez, se fosse só por mim, não que seja a pessoa mais alto astral do mundo, longe disso, eu poderia estar vibrando mais, com aquela ansiedade gostosa, mas aqui em casa, tenho um freio de mão.

Aí, como sempre, parto para as reflexões, tento entender nas últimas instâncias se estes sentimentos são resultado da vida, de experiências ou se deixei o clima tenso daqui me influenciar. Então mais perguntas: como eu seria de tivesse passado os últimos 5 anos no Brasil? Será que ficaria me perguntando ou tentando entender tudo, ou nem teria tempo pra pensar no assunto? É, eu tenho muito tempo aqui, até demais, tempo pra pensar em tudo, e repensar.

Uma coisa é certa, se nos últimos anos tivesse passado no Brasil, não estaria pondo um mochila nas costas a essa altura da vida. Não teria tido tempo.

Tempo é a palavra de ordem hoje, ter ou não te-lo. E o que fazer com ele e dele.

 

O desapego

on Dienstag, 13 Juli 2010.

Viajar é se virar

Eu nunca foi muito de frescuras, mas higiene pra mim é vital. O que nós entendemos como higiene, ou eu pelo menos. Para muitos aqui na Europa é um total exagero. "Onde já se viu! Escovar os dentes 3 a 4 vezes por dia? Assim, os coitados estragam!" Eu nem discuto, porque quando descobrirem que tomo pelo menos por dia, serei execrada.Banho todo dia no verao, beleza! Mas no inverno prefiro nem saber Entao, aí está meu problema, preciso confessar que isso está me incomodando, só a idéia de nao poder tomar banho quando eu "preciso" me deixa em pânico. Mas meus temores tenho que guardar a sete chaves, pois meu alemao nunca vai entender porque me aflingo tanto. Como eu adoro cheiro pós banho, cumprimentar alguém com perfume bom. Ahh, meu Paizinho, esse é um homem cheiro.

Eu já mencionei o lance de quantas calcinhas? Eu nao saio desta terra sem a seguranca que tenho uma calcinha limpa todos os dias. Protesto e emperro na porta do aviao, mas pelo menos 10 levo junto. E isso já foi motivo de briga feia, na ocasiao fiquei sabendo que há homens que usam a mesma cueca dias a fio!!! Se já sabiam, agredeco que ninguém nunca tenho me contado antes.

Fora banho, outro tema é onde dormir. Há dois dias montamos nossa barraca no jardim. Ai, dificil de acreditar que passarei noites dentro dela, apesar de ser muito boa, barraca é barraca e só de pensar o que pode estar do lado de fora... Mas o Thomas já providencou cordas para amarrar nossa comida em árvores e assim nao atrair ursos. Ah, ele comprou também  um canivete suico e um spray de pimenta. Me imagino naqueles filmes de sessao da tarde, onde os acampamento dos amis em férias sao atacados pelos bichinhos. Deus! E tanto que o povo bota medo na gente, dizendo que o urso se tira de letra, mas o duro mesmo sao os mosquitos.E o negócio do banho de novo: já pensaram no saco de dormir no final da viagem?

Voltando ao tema desapego: cortei o cabelo, curtíssimo. A minha explicacao ao Thomas foi além praticidade, a economia de shampoo, tanto em quantidade qto espaco na mochila. Mas pra mim, também existe um outro ponto:  a toalha. Minha toalha é minúscula, assim com cabelo curto ela nao fica tao encharcada depois do banho e seca mais rápido, porque se tem uma coisa que nao suporto é toalha úmida para me secar, isso já é um paradoxo em si. E se tiver aquele leve cheirinho de mofo? Já que tenho que economizar na toalha, toso o cabelo.

Aí está o antes-depois

 

Iniciando a viagem

on Samstag, 10 Juli 2010.

O inicio da viagem se dá quando se começa a pensar nela.

Não é poético, mas sim prático. Uma viagem que dura muito tempo, tem que ser planejada. Não se trata de férias prolongadas, mas sim um de um projeto. E dever ser visto como tal.

O problema está na complexidade do projeto e nas dificuldades de meios para executá-lo. Nossa intenção era viajar assim, meio sem rumo, nos orientando a cada dia. Sem datas marcadas para isso ou aquilo. Mas aí, surgem os típicos contratempos, por exemplo a tal da burocracia. Todo mundo sabe que ela existe, mas ninguém conta de verdade com ela. O pior é quando as bur(r)ocracias se misturam. Lembrando: Thomas e eu temos cidadanias diferentes e por isso passaportes diferentes e para eles leis diferentes.

Problema n°1: Começamos então, com a necessidade de vistos e permissões de entrada. Eu já tenho 4 vistos no meu passaporte sem mesmo botar o pé no avião e o Thomas nenhum, não precisa. Eu já gastei tempo, nervos e dinheiro com vistos americano, canadense, etc. Thomas também, porque fizemos juntos, mas se não fosse por mim, ele teria pulado essa etapa e nunca pensado no assunto.

Problema n° 2: Por termos passaportes diferentes, as leis não são iguais para nós. Eu não tenho certeza que o visto garante minha entrada. Corro risco de se impedida de entrar no país, sei lá... pode ser que não gostem da minha cara ou que não acreditem na história de que apesar de ter passagem só de ida, não pretenda ficar lá. E o Thomas só leva prejuízo nesta história toda.

São problemas que estão fora do nosso alcance, não podemos fazer nada. Sentamos sobre eles e esperamos que se dissolvam no ar. O saco, é que você não encontra nada que ou ninguém que possa dar alguma informação. Problema n°3: Atualmente nos consulados não há atendentes, só secretárias eletrônicas que são alheias aos seus problemas ou se sua viagem vai pro vinagre. Email, nem pensar. Não se dão ao trabalho de responder a problemas ordinários. Resultado: tocamos o barco, sem saber se podemos atracar.

Então, pensamos tocar o barco significa organizar as coisas por aqui. Arranjar o dinheiro, vendendo os carros, fechando contas. Cancelar seguro de saúde aqui, fazer outro ali. Comprar o equipamento, etc.

Tudo demora, demora porque pensamos em todos os detalhes. Lemos sobre dicas de pessoas que já viajaram, de especialistas, de amigos, etc. Conclusão: não conseguimos nos decidir por nada, e quando fazemos, sempre temos a sensação que não foi a melhor decisão. Insegurança total. Mas é isso, que dá essa mistura que falo: é o jeito alemão de querer tudo sob controle, com a impaciência latina de querer tirar logo do caminho. Mas o lado bom: quando Thomas fica nervoso, achando que poderia ter sido melhor assim ou assado, eu tento contornar a situação com bom humor e tirando sarro, aí ele amolece também. O segundo lado bom: eu sei que quando tomamos decisão X, temos nossas razões, e elas são quase sempre racionais.

Decidimos por o pé na estrada

on Freitag, 09 Juli 2010.

Oras, simples. Queremos descobrir o mundo, para nos descobrir. Pode parecer clichê, mas é isso mesmo. Nossa viagem, não é em torno do mundo ou do continente, é em torno de nós mesmos. Como somos assim, um jovem casal “Standard”, queremos fazer o que geralmente pessoas como nós não fazem - deixar o trabalho, vender os móveis, colocar mochilas nas costas e sair por aí. Nós percebemos que estávamos fazendo exatamente o que não queríamos, ver os dias passarem diante nossos olhos, nos consumindo com os problemicros do dia a dia, que no final do ciclo de 24 horas, pesam como um elefante. Culpando-nos por isso ou aquilo. E por que não, realizar um sonho? Pode ser que para alguns (talvez para os sensatos ou os invejosos) esse sonho seja uma forma de adiar problemas.

Que problemas? Bom, temos alguns. Mas eles na verdade, são nossas inspirações.

Thomas gostava de onde trabalha, mas não gosta do que fazia. Acha que suas chances de crescimento profissional são limitadas. Tem vontade, tem fogo, tem coragem de mudar e de buscar o que o satisfaz. Thomas gosta de dinheiro, mas não de pouco. E gosta ainda mais de conquistar, se sentir desafiado. Por isso, quer ir com sua esposa brasileira, para o Brasil, onde finalmente o eterno país do futuro, pode virar o nosso país do presente.

Mila, por sua vez, sempre foi meio fuçada, vontade de ver, ter, conseguir. Depois que passou a morar na Alemanha, parece que o clima alemão deu uma esfriada, melhor uma freada na sua afoiteza. Desafiar a si mesma passou a ser cansativo, deixou os dias a vida levar. Fez sua parte e não mais que isso. Mas “isso” não era ela. Queria muito um baby, mas sabe que ainda não é a hora e nem a solução. Deu-se conta que, com 30 anos, uma mulher não precisa ter filhos e o emprego perfeito. Aos 30 anos uma mulher precisa, e deve ter fome de viver, realizar seus sonhos e executar seus projetos. Agora seu projeto é mostrar a que veio ao mundo e com maturidade arrebatá-lo.

Viajar significa para nós, viver um sonho, que é se sentir livre e contar o que vimos e não ouvir o que foi visto. Mas também, é uma possibilidade de amarrar com um nó nossos laços, atrelar nossos sonhos e lembranças um ao outro, porque os vivemos juntos.

A viagem


A viagem começa em Frankfurt, onde pegamos um voo direto até Toronto. De lá, cruzamos o Canadá em direção a Vancouver, descemos pela costa oeste dos Estados Unidos e de lá “hablamos solamente español”. É, pode ser, que precisamos ainda tirar o inglês e francês do bolso, caso o dinheiro alcance nossos sonhos e nos permita viajar pelas ilhas caribenhas. Passamos pela América do Sul, até Patagônia. Nossa última estação é São Paulo, onde pretendemos ficar por alguns anos, mas pode ser também qualquer outra cidade que comporte a nós e nossas pretensões! Muitos podem dizer: “nossa! poderia ser mais exótico, talvez o Laos ou Quirguistão”. Mas tirando uma de filósofa, dou a resposta: a viagem não é o destino, mas sim como se chegar a ele.

Meios

Pois é, quando começamos planejar a viagem, o mundo parecia outro, e são apenas 6 meses atrás. Naquela época, o Euro tinha seu valor, hoje viajamos pelo menos 30% mais pobres. Os deuses gregos se agruparam e sacudiram a economia européia , mudando com isso um pouco nossos planos, fazendo o Euro despencar, mas o Dólar e até o Real subirem. Porém, sempre há um lado bom de tudo. Temos um desafio diante nós e uma prova de fogo à nossa capacidade de improviso, paciência e como casal em si. Teremos que viajar de ônibus ao invés de trem e avião. Passar muitas noites em barraca de camping, talvez sob temperaturas beirando a zero. Hotel é muito luxo, talvez Hostel em quarto misto.

É, pode até parecer exagero, mas aqui está o pingo do i. “Ele = alemão” “Ela = brasileira”. Se as diferenças entre homem e mulher já são um assunto em si, imaginem entre um alemão e uma brasileira. Uma prova disso, lá vai:

Ele pergunta: “Schatz, quantas calcinhas pensa em levar?”

Ela responde: “eu sei o que está insinuando. Você não se conforma que eu precise de 10 calcinhas para 180 dias e você só duas cuecas, mas invés disso 2 câmeras fotográficas, aparelhos GPS, computador, mapas, planilhas, etc. Eu já estou levando apenas um par de sapato a mais que você. Não é um imenso progresso o meu desapego???”

Percebem? Uma pergunta de 6 palavras basta para: uma afirmação, uma teoria, uma análise compacta de comportamento cultural e de gêneros, em 57 palavras. E nenhuma resposta à pergunta.

E é assim, hora pós hora. Mas se no final da viagem, na última foto, ainda sorrirmos abraçados, é porque deu certo.

 

Assim somos

on Donnerstag, 08 Juli 2010.

Dois jovens tradicionais com boa formação acadêmica, saudáveis e estáveis. Sonhamos, como a maioria dos nossos pares, com realização profissional, filhos, casa própria, dinheiro para jantar fora e viajar de férias uma vez por ano.

Ele, o Thomas - Veio ao mundo no sul da Alemanha no dia 27 de dezembro de 1981. O povo suábico (quem nasce em Baden-Württemberg) gosta de dinheiro, tanto que é muito difícil se separar dele, é do tipo que reaproveita o papel de presente. Mas são generosos, justos, sinceros e adoram motores - foram eles que inventaram e reinventam o carro. E assim é o Thomas, típico suábico, doce, mas sem melar. Tem como paixões: futebol, sua mulher e Porsche (ordem aleatória). Com os dois primeiros tem uma relação bem semelhante, se irrita, se empolga, se frustra, se alegra, mas não vive sem. Porsche, além do seu sonho de consumo, é onde trabalhar atualmente. Estudou gerência de produção em Reutlingen. Nas horas vagas, além de futebol, gosta de se arriscar no Poker, sentar na frente do computador com a TV ligada e fazer sua mulher sorrir.

Ela, brasileira, é a Ludimila, mas nem se lembra mais, pois todo mundo só a chama de Mila. Nasceu no interior de São Paulo no dia 12 de marco de 1980. Sempre foi meio complicada, cheia de dúvidas e sonhos, que por muito tempo culpava os astros, por ser assim tão pisciana. Desde menina sempre quis ser gente grande. Por isso, saiu de casa aos 17 anos pra estudar em São Paulo. Mas ser adulto, tem que ser responsável, e foi. O problema foi combinar ser responsabilidade e sonhos. Gosta de fazer esporte, é meio (super) encanada com o corpo. Tem pavor de engordar, mas pensa em comida o dia inteiro. É assim, um ser cheio de conflitos. Gosta de aprender, cursou Comunicação na USP, fez mestrado na Alemanha e já devorou muitos livros. É, há mais de 4 anos, casada com o Thomas, seu grande amor. Apaixonou-se pelo seu sorriso e olhos verdes, que ele jura que são azuis. Por ele, deixou o calor do Brasil pelo “frescor” da Alemanha.


Somos bem diferentes, mas as vezes tão iguais que me irrita ver algumas ações minhas num corpo estranho. E geralmente são as atitudes que menos gosto. Mas acho que é bem isso ser casal, começamos a nos misturar, a nos integrar no mundo um do outro. Thomas me conhece tão bem, que me assusta. E eu sei o que ele quer antes dele mesmo - o que não é tão difícil assim, todos homens são iguais, e na maioria das vezes querem sempre a mesma.

 

Ludimila

Neste espaço quero deixar minhas impressões, registrar minhas experiências e dividir minhas/nossas descobertas. Contar, sempre que der, como estamos no virando, nos divertindo ou nos irritando. No site principal, meio caótico com a mistura do alemão com o português e intervenções em inglês, vamos dar a versão oficial da viagem, com fotos, infos, etc. de onde e como estamos. Talvez podemos inspirar alguns amigos a botarem a mochila nas costas também. Então, vamos nessa!

Comentários

  • network marketing

    23. Juli, 2017 |

    Hello there, I found your blog via Google whilst looking for a related subject, your
    website came up, it looks great. I have bookmarked...

  • bandar sakong

    23. Juli, 2017 |

    I have read so many posts concerning the blogger lovers but this paragraph
    is genuinely a pleasant piece of writing, keep it up.

  • watch new movies free

    22. Juli, 2017 |

    I've been exploring for a little bit for any high quality articles or weblog posts in this sort of
    house . Exploring in Yahoo I at last...

  • chat on phone free

    22. Juli, 2017 |

    Hi there, its fastidious piece of writing regarding media print, we all be
    aware of media is a impressive source of information.

  • omc sterndrive repair parts

    22. Juli, 2017 |

    Calling Gary and Company is like calling in the
    US Cavalry to make sure you get the job done right.